Quereres…

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Eu posso beijá-lo agora ou passar o resto da vida arrependida por ter perdido esse momento“, ela pensou.

Sim, ela já sabia o que aconteceria. Desde o primeiro olhar. Mentira. Antes. Desde que ouviu seu nome e suas histórias pela primeira vez.

Sim, ela poderia ter evitado, fugido, não ligado. Mas arriscou. Apostou.

Sim, ela queria. E sabia que seu querer estava ligado diretamente à certeza do outro. Querer. A bruta flor.

Porque ela cansou de inventar o amor.

Terceiro e último ato…

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Foi um desses caras…

… desses que aparecem num dia frio, com fogo nos olhos e nas mãos…

… desses que chegam como se de casa já fossem… e te contam a vida, te tocam pelas coincidências e cantam… e dançam… sorriem…

… desses que te fazem prever, desde o primeiro momento, exatamente o que está pra acontecer…

… desses que no dia seguinte estão gelados, são estrangeiros, ficam mudos, desafinados, descompassados, sérios…

… desses bipolares…

… desses descartáveis.

O último.

Serendipity…

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Foi um desses encontros…

… desses que a gente espera viver quando vê na tela do cinema…

… desses que a gente chega em casa e corre pro violão e faz música inédita…

… desses que a gente quer repetir no dia seguinte e depois e depois e depois…

… desses que a gente sente o coração acelerar ao ver o nome que aparece na tela quando toca o celular…

… desses que a gente imagina como seria a longo prazo…

… desses que a gente pergunta “qual o seu signo?” e tem vontade de fazer mapa astral, só pro universo confirmar o que já se sente…

… desses que a gente se despede e deixa ao acaso porque talvez seja melhor assim…

… desses que a gente sente falta do sorriso, da voz, do olhar e da barba por fazer de manhã, ao acordar… e pensa seriamente em pegar um carro, um ônibus, um avião ou um disco voador, só pra se encontrar…

… porque sou dessas.

Aquela canção do Roberto…

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Foi um desses dias. Desses em que a gente se enrosca na cama e nem abre a cortina do quarto. E desliga o celular pra não saber do mundo lá fora. E a taça, e o vinho… e daí que eram seis da manhã?

Foi um desses dias. Desses em que a gente come chantily sem culpa e desvenda novos sabores. E inventa que é feriado pra não saber do mundo lá fora. E dorme, e acorda… e daí que ninguém almoçou?

Foi um desses dias. Desses em que a gente transforma a casa num parque de diversões e sorri sem limites. E não olha o relógio pra não saber do mundo lá fora. E a música, e a dança… e daí que a noite chegou?

Foi um dia assim: outono no Rio, primavera em Paris… nenhum compromisso, na desordem do quarto a esperar… do café pra nós dois ao jantar.

Nunca, como sempre…

espera

Pois é… mais uma vez estive ausente daqui por muito tempo e não sei nem como recomeçar. Bom, vou direto ao assunto, o que facilitará muito a minha vida nesse início de 2013.

Eu tenho uma sobrinha de 21 anos. Não é bem minha sobrinha na verdade, é filha de um grande amigo, mas ela e todos os irmãos me chamam de “tia” desde que eram pequeninos… e confesso que acho fofo quando isso acontece.

O fato é que, nos últimos dias, tenho convivido muito com eles e voltei no tempo ao ver que ela está com questões muito parecidas com algumas que eu tive, quando eu tinha mais ou menos a idade dela.

Na época, liguei pra uma grande amiga e desabafei por um bom tempo ao telefone. Logo depois, a querida ouvinte escreveu uma crônica e a dedicou a mim. Emocionada, guardei cada palavra com todo cuidado e tempos depois, como se ouvisse um bom conselho, decidi que jamais deixaria uma oportunidade passar sem que eu tentasse ser feliz. Mesmo que no fim eu quebrasse a cara e sufocasse de dor, ir atrás do que eu acreditei sempre me fez crescer.

Para Ailim, minha sobrinha, e a quem mais interessar possa, abro os trabalhos desse ano compartilhando aqui o texto que há 13 anos carrego comigo.

Marina Martinelli, muito obrigada!

*****

NUNCA, COMO SEMPRE.

(Docemente dedicado aos mais de 40 minutos ao telefone com Renata Celidonio)

Isso não é mais medo de compromisso, já é um compromisso com o medo, foi o que ele se disse. Cento e sete minutos. Quatro letras, começa com A, sinônimo de baú. Ocupado. As relações mais inesquecíveis não têm nome. É preciso parar de fumar porque pode ser que um dia morra. E se você não fuma há a perspectiva de vida eterna. Cento e cinco minutos. Nada vale mais do que vinte segundos de reflexão. Reflexão. É mostrar as coisas iguais só que ao contrário e para o lado oposto ou para a coisa mesma. Dez diabinhos racionais em cima do muro, se um cai, ai se cai algum no chão, serão nove diabinhos racionais em cima do muro. Quando ela crescer ela quer ser um narrador onisciente para saber como acaba a história e nunca se envolver. Ele quando crescer quer ser um assassino de psicólogos. Nove diabinhos racionais em cima do muro… A-R-C-A … Ocupado. Fugindo como Joãozinho e Maria, só que trazendo consigo os pássaros devidamente instruídos para comer as migalhas que deixa só por desencargo de consciência. Cem minutos e pra que tanto drama já que ela sabe bem e ele também sabe bem que essa é a única solução cabível. Os amores bonitos estão condenados. Qualquer pessoa que lê sabe disso. Amor vivo é amor morto. Balela. Ele sabe. E é por isso que parte. Ele a ama. Ela o ama… e quem precisa de melhor razão para abandonar? Ocupado. Antes que ele se decepcione e que ela se decepcione e que os dois comecem a achar que sempre estiveram errados. Mega Star casa com Pop Star que está com um hit na parada de sucesso, recorde de vendas. Oito diabinhos racionais em cima do muro. Cada minuto é mais tarde e mais longe e mais urgente. Não há motivo e não há porque haver motivo. Quem precisa de motivo é crime. De tanta lágrima, cada olho seu parece uma folha de papel reciclado. Nem crime. Não há coisa que meta mais medo que felicidade. Nem Deus, nem inflação. Felicidade todo mundo quer e todo mundo que você conhece já teve, já sentiu. Há uma daquelas bombas de petróleo da garganta dela porque ele vai embora. Ela conta as gotas de adoçante. Ela não entende. Ocupado. Ela afoga a colher no café e deixa o café tonto. Não consegue estar triste porque não consegue acreditar. E como? Como ele. Sua mente está mais seca que um útero aposentado… seca, murcha. Qualquer música que toque faz sentido e é trágica e tem a ver. Ele olha para o ralo da pia e a água e o giro. Ele queria morar numa dessas máquinas de ar quente. Ele escuta o apelo num inglês incompreensível. Há um cubo de gelo morando no estômago dele porque ele vai embora. Ela olha as páginas de várias coisas, de catálogos, de livros, de listas, de cadernos, mas as letras se rebelam e flutuam indecifráveis. Ela observa o cruzar de pernas dos ponteiros do relógio. Setenta minu… sententa minutos, ele pensa. Uma coca sem gelo. Tudo desancora. No fim o importante é ter vivido e ter assunto pra contar aos netos e aos jornalistas, se diz e se repete como se acreditasse. Ocupado. Ele acha que não tem que explicar nada, que tudo está muito claro. Ela acha que sabe qual é a razão, mas não é possível que a razão seja essa. Ela acha que sente a falta dele e que depois dele… ele acha que sente a falta dela e que depois dela… Sete diabinhos amarrados num poste, uma banda de pífanos e três crianças com dor de ouvido se debatendo como peixe seco no chão de um shopping. Mais um motivo. Há. No fim de tudo não há de fato a partida. A ideia dele nela é como a música da taboca, a ideia dela nele é como a música do camarão sem casca e sem cabeça. Agora só faltam quinze. Ocupado. Ela podia sair do jeito que está, correr, impedí-lo, salvar o mundo. E envelhecer a seu lado cortando os pelos do seu nariz. Ele podia não ir, voltar, surpreendê-la, salvar o mundo. E envelhecer a seu lado mudando suas fraldas de incontinência. Qualquer pessoa sabe que amor vivo é amor morto, tudo o que é moderno é laranja e que o único “com” que leva a algum lugar é aquele que termina uma frase eletrônica iniciada por “http”. Anos noventa. Ele não sabe o que tem a dizer. Ela observa o gancho. Como tatuagem tribal, um no outro, sem fazer sentido. É a hipótese que dá corda no mundo. E decerto serão felizes, vivendo de como teriam-se amado.

(Marina Martinelli)

Moço Bonito…

 

Hoje vou sonhar que tenho o melhor trabalho do mundo, um bom apartamento com varanda e uma vista linda, um fusca branco com estofado rosa, uma casa na montanha, um labrador, um filho e um amor “come what may“.

Hoje vou sonhar com o dia em que você apareceu sem avisar e foi tomando conta do meu mundo aos poucos, me deixando viciada no seu cheiro e no som da sua voz. Conversamos sem que nunca nos faltasse assunto e você, como ninguém, soube a hora exata e a forma certa de me fazer calar.

Hoje vou sonhar com aquele frio na barriga no dia em que você me disse que sou encantadora e que tenho qualidades difíceis de se achar numa mulher. O mais engraçado foi que, ao ouvir, tive medo do que estava por vir… imagina… como alguém pode sentir medo em momentos assim?

Hoje vou sonhar com as flores que você mandou e com aquele passeio no parque. O cheiro do orvalho no mato, o banho de chuva, a música boa e o quarto de hotel. Ah, sim… tem também aquele vinho delicioso que você trouxe de viagem, só porque sabe que eu amo tomar uma taça de vinho no inverno, grudada em você, embaixo do edredon, ao lado da lareira.

Hoje eu vou sonhar com suas mãos acariciando meu rosto, seus dedos passando de leve pelos meus cabelos e me segurando firme logo em seguida. Vou sonhar com seus olhos verdes, seu sorriso lindo e seu melhor beijo.

Hoje vou sonhar… até o dia em que você chegar.

Surpresa…

Os sinos da meia-noite. Os mimos escondidos pela casa. O aniversário depois da aula. O abraço atrás do balcão. A música que teve endereço certo. A chuva de chocolates no carro do primeiro encontro. O cartão das rosas à espera no camarim. O telefonema de longe. As luzes da noite de Lisboa. O carro, o cais e o porto. A invenção de palavras únicas do outro lado do oceano. Os sussurros nos corredores do hotel. A festa de despedida. O reencontro no aeroporto bem longe daqui. O video-presente-romântico mais lindo do mundo. O SMS do dia seguinte. O envelope nos pés da árvore de Natal. As coincidências, ironias do destino. O beijo interminável da festa que estava no fim. Aquele que tentou ocupar o lugar do outro… e o que veio depois que, sem tentar, conseguiu.

***

E ontem veio você, com aquela bandeira branca. E eu, que sempre amei as belas surpresas, tive medo. A overdose de adrenalina do presente no meu corpo, contrastava com as lembranças ainda vivas do passado. Nada daquilo fez o menor sentido até o momento em que, mais calma, consegui enxergar poesia na cor dos seus olhos.

Que venha a brisa fresca, a conversa derradeira e o acento certeiro em cada vogal que dele precise. Que venha o inesperado, então. E o recomeço súbito de histórias que nunca tiveram fim.

Era uma vez…


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