Archive for the 'das transformações' Category

De volta ao começo…

Há alguns meses resolvi me propor um desafio: escrever aqui durante cinquenta dias consecutivos, cada um com uma temática diferente. Empaquei no quinto dia e hoje, após muitas tentativas, pus fim ao desafio. Fim.

Ah, o fim. Essa é a única certeza que temos, né? A de que, no fundo no fundo, tudo acaba. Há algumas semanas recebi uma notícia que me fez pensar muito nessa questão: um amigo querido se foi. Eu não tinha contato algum com ele há anos, não estávamos adicionados em nenhuma rede social, mas a ideia de que não existe mais a menor possibilidade de nos esbarrarmos no meio da rua ou de um carnaval, me deixou bem abalada. Como assim, não verei mais aquele sorriso e o olhar que era pura festa ao me encontrar? Rodrigo é o tipo de cara que faz falta ao mundo, sabe? Mas ok… cada um tem sua história e deve mesmo haver algum plano divino pra justificar o encerramento precoce de sua estadia por aqui.

Não sou lá muito boa com despedidas, mas de uma coisa tenho certeza: sou pior ainda quando resolvem sair da minha vida, por conta própria, sem nenhuma explicação. O que dizer sobre um cara que se dizia meu grande amigo mas que, de uma hora pra outra, começou a namorar, me bloqueou e excluiu de suas redes sociais, não atendeu quando liguei e nem respondeu minha mensagem quando perguntei o que estava acontecendo? De uma hora pra outra, a tal grande amizade acabou, sem que eu soubesse o motivo. Oito anos de convivência, intimidade e segredos bem guardados… e é assim que isso termina? É, Renata… é assim.

Trabalhos, estudos, paixões, os grandes amores e os pequenos também. Acabam. Até o melhor pedaço do bolo, aquele que você deixa separado pra comer por último, na esperança de que o prazer seja prolongado a partir do sabor que resta na boca… ele também. Acaba.

Pois é… não foi só o tal desafio que decidi eliminar. Mais uma vez, no meio de uma boa faxina, resolvi jogar algumas coisas fora e deixar outras tantas pra trás. É hora de seguir, entender e viver o que é cíclico. E lá vou eu, escrever o novo… de novo.

Ao fim, eu prefiro os recomeços.

Debut…

Começando o “Desafio dos 50 dias”…

  • Dia 1: Uma foto sua com 15 ou 10 anos

Lembro como eu estava feliz… tinha acabado de tirar o aparelho dos meus dentes, após conviver 4 anos e meio com um sorriso metálico (se vocês me vissem aos 10 anos, entenderiam exatamente o porque da minha felicidade… rsrs). Sim, eu estava livre.

Escolhi uma foto do dia exato da comemoração dos meus 15 anos. Uma festa simples, na área externa do apartamento onde vivi por 20 anos, incluindo toda minha infância e grandes alegrias. Minha mãe mandou fazer um painel que tomava conta de uma parede inteira, com uma frase de “Fullgás”, música da Marina Lima que me emociona até hoje por conta disso. Além de ter toda a família por perto, eu estava cercada dos meus melhores amigos, muitos dos quais estão presentes na minha vida até hoje. Dancei a valsa com todos os homens presentes, cantei todas as músicas que amava numa rodinha de violão incrível, meu quarto virou acampamento e a festa continuou com um churrasco no dia seguinte (sou baiana, minhas comemorações nuncam duram um dia só… rsrs…).

Mas essa menina aí da foto, essa morena cheia de sol e curvas lindas, acreditem ou não, tinha uma auto-estima no pé. Vivia paixões sempre platônicas e se achava enooooorrrme de gorda. A Renata “debutante” perdeu tanto tempo na vida… tudo porque acreditava que tinha que ser igualzinha àquela capa de revista. Ela era diferente e linda, mas não sabia disso.

Hoje, olhando o passado e todo o caminho que percorri pra chegar até aqui, fico feliz ao me olhar no espelho com a consciência e o prazer de ser quem eu sou. Tudo isso com o adendo de que atualmente, através do meu trabalho, posso usar minha experiência pessoal pra ajudar muitas pessoas que passam pelo que passei.

Ser atriz, fazer um bom trabalho e, ainda por cima, ter uma missão social num mundo em que padrões estéticos estão sendo revistos, para o bem estar de grande parte da nossa sociedade… isso sim, é meu verdadeiro “debut”.

A noite dos mortos-vivos…

– Oi, tá podendo falar?
– Tô sim. Diz.
– Quero saber de você, faz tempo que a gente não se fala…
– É… faz tempo…
– Então…
– Hum.
– (…)
– (…)
– (…)
–  … então?
– Bom, vai lá… você deve ter mais o que fazer, né? Depois a gente se fala.
– Ei, espera. O que é que tá acontecendo?
– Não sei… é que faz tempo, né?
– Ahan.
– Ontem sonhei com você.
– E…?
– Sonhei com um tempo distante.
– Um tempo…?
– Um tempo em que eu ainda não lembrava que tudo o que eu queria era não lembrar de sonhar com você.
– Não entendi…
– Tudo bem, eu não esperava que você entendesse.
– Hum.
– Você tá bem?
– Ahan.
– Ok, é o que importa.
– Você não vai me contar o que aconteceu no sonho?
– Eu acordei.
Olhou-se no espelho e não reconheceu o próprio rosto. Estava numa tristeza profunda e sem sentido algum. Deixou uma esperança pra trás. Deixou o que restava morrer em paz.
Desde aquele dia, tudo mudou.
Ela mudou. Duas vezes. Ou mais, a depender do ângulo.
Ele também. Mudou. Ou não, a depender do… ou não.

Tudo muda o tempo todo…

Sim, eu confesso: tenho andado em falta com as atualizações desse blog.

Não, minha falta não é por falta de idéias. Se vocês soubessem a quantidade de rascunhos que tenho em estoque, ficariam com pena de mim nesse momento. Acho que é apenas uma daquelas fases em que a vida está acontecendo lá fora e eu estou acompanhando, enlouquecidamente, o ritmo do mundo nas voltas que ele dá. Ou melhor: o mundo está acompanhando meu ritmo nas voltas que, enlouquecidamente, dou nele. Acho que é mais por aí… é.

Alô você que tem a certeza de ter sido bloqueado no meu MSN… alô você que sente minha falta online no Skype… alô você que fica diariamente me procurando nas suas listas de bate-papo virtual… sinto desapontá-lo, mas já faz algum tempo que não tenho mais a menor paciência pra teclar sobre o nada. Alô você que diz que tem saudade de mim… provavelmente você tem meu telefone. Me convida pra sair, vem me visitar com boas notícias, marca um cinema, um passeio na Lagoa, um café no Parque Lage ou no CCBB. Vamos ver um show de jazz na Glória, ouvir um samba na Lapa, dançar black music no Centro… tomar uma água-de-coco em Ipanema, uma cerveja em Botafogo ou um drink no Leblon. Me chama pra ver o pôr-do-sol ou pra ver o sol nascer. Alô você que diz que prefere ficar em casa… saiba que eu também entendo perfeitamente essa vontade de curtir o próprio ninho como se não houvesse amanhã e que, às vezes, vou dizer “não” quando você me procurar. Alô você que não mora na mesma cidade que eu… me avisa quando estiver online, eu trabalho com exceções.

Não adiciono quem não conheço no Facebook, adoro a objetividade do Twitter e acho chat muito chato. Não tolero gritaria, mas aceito na hora um bom pedido de desculpa. Se eu te ligo e você não atende, não insisto. Se alguém diz que vai me ligar, espero. Se demorar, esqueço. Deleto quem se diz presente e se faz ausente. Aprendi que algumas pessoas são descartáveis. Relações superficiais e mentiras sinceras não me interessam mesmo. O ser humano ainda/sempre me surpreende.

Estou sumida porque estou vivendo.

Nos últimos tempos, tenho administrado grandes transformações. Mudanças que desencadearam minha mudança pro bairro vizinho (e a mudança pro bairro vizinho desencadeou outras tantas!). Mudanças de conceitos. De pré-conceitos. De estados de espírito. Do tamanho da fé que deposito em mim. Do tempo de perdoar. Do limite do aceitar. Leio mais.

Hoje decidi escrever, estava sentindo falta de momentos como o de agora. Decidi não mais abandonar esse lugar. Pelo menos, não por enquanto. Pelo menos, só por hoje. Ainda que e apesar de… aqui estou.

Virei a chave. Abri a porta. Troquei o disco.

Tudo muda o tempo todo.

Mudei.

“Uni duni tê… salamê mingüê…”

Andar sem pressa e sem destino.

Cinema. Avistar e entrar. Escolher um filme e, em cima da hora, optar pelo outro. Livraria. Um café (um chá?). Escolher um livro e lá ficar, sem barulho e sem relógio. Sair ao estar pronta pra dormir. Falar quando iria calar. Meditar ao invés de gritar.

Descobrir o prazer de ser… e não ter que ser.

Seria um almoço natureba durante a semana. Virou um happy-hour na sexta-feira.

Alguns sonhos são perecíveis. Todos os planos são passíveis de mudança.

Jessica Boo…

Nossa… não posto nada aqui há tempos! Parece até que o luto do último post durou uma era, mas – neste caso, ainda bem – nem tudo é o que parece ser. O tal luto durou apenas uma semana: tempo necessário pra que eu sentisse que, daquela morte, nascia um novo amor ainda maior… o amor por mim! (é piegas, repetitivo, brega, batido… eu sei… fazer o que, né?)

Novembro e dezembro foram meses definitivos para que eu encerrasse um ciclo da melhor forma possível. Um ciclo que durou 7 anos. E foi ali, em frente ao espelho do banheiro, que me olhei inteira e entendi tudo. Todas as peças do quebra-cabeça se encaixavam finalmente. Virei a chave. Sou uma maravilha de mulher… batalhadora, gata, disposta, inteligente, bem-humorada, talentosa, carinhosa, fiel, amiga, disponível, agregadora, musical… rsrs… é, sou PHODA (com PH mesmo, tá?). E ultimamente tenho andado com a minha auto-estima no céu!

Então o Natal foi chegando e, com ele, uma vontade imensa de passar os primeiros minutos de 2011 com um vestido vermelho – desses que a gente coloca e se sente a Jessica Rabbit, sabe? Eu ainda não sabia com quem ou onde estaria… eu só queria o meu vestido vermelho!

Um belo dia, pelo correio, numa caixa amarela, ele chega. Lindo e na medida perfeita. Me senti “A gostosa de Botafogo”… um vestido sexy sem ser vulgar… e com ele, uma cartinha escrita em papel-rascunho, a letra da minha mãe e as seguintes palavras:

-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-

“FELIZ NATAL PITUXA GOUXTOSA DA MAMÃE!!! TI AMUUUUUUUUU!!!!

(LEIA A HISTORINHA)

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Era uma vez uma menina que queria um vestido vermelho… aí Papai Noel olhou a menina e pensou: ela é tão boazinha… tão bonitinha… e ama a Mamãe MAIS QUE TUDO NESTE MUNDO! Ah… essa menina merece o vestido vermelho! HO! HO! HO!

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Pois é, foi assim que este vestido veio parar aqui, na minha janela!

Papai Noel disse que você tinha que vir passar o Natal aqui, pra vestir o tal vestido. Só estou mandando porque disse pra ele que você vinha logo depois, viu? Olha lá…”

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Então… lembram da Jessica Rabbit? Começou a chorar e virou a Boo…

Diga “trinta e três”…

Ano novo, blog novo.

Há mais de um mês mudei pro WordPress. Coincidentemente, desde que optei por esse “upgrade” em minha vida cibernética, todas as idéias que tive tornaram-se pequenos posts inacabados – e, é claro, nunca os publiquei. Hoje, munida de toda coragem possível, resolvi encará-los de uma vez.

Não, eles não serão publicados ainda. Olhando um por um dos arquivos, percebi que poderia simplesmente deletá-los. Subitamente, no entanto, fui tomada por um sentimento arrebatador… não sei como – do nada! –  senti que seria burrice apagar uma parte das minhas histórias. Aqueles posts virarão música, serão belos contos e aquele outro, com certeza, é um ótimo argumento pro meu primeiro curta-metragem! Entendi que a essa percepção, alguns dão o nome de “bom-senso”… e que esse “senso” só fica bom mesmo quando vem acompanhado de uma coisa: maturidade.

Eu havia inventado prematuramente, para mim mesma, a bela desculpa de que o post inaugural deste blog seria publicado dia 23 de agosto do ano presente, celebrando meu “reveillon particular”.

Alguns dias antes,  ao saber quantos anos eu faria, uma amiga perguntou se eu estava “pronta para ser crucificada”… imediatamente, respondi:

“Depois de tudo o que já passei nos últimos tempos,

essa é minha hora de DESCER da cruz”.

É a partir desta frase que dou início à saga dessas linhas bem traçadas pelo editor de textos do meu computador.

Segunda-feira, ao acordar, olhando meu reflexo no espelho do banheiro pensei:

“33 anos…”

( * uma nota rápida para explicar meu raciocínio: em todos os meus aniversários, depois de adulta, tento lembrar de como minha mãe era quando tinha a minha idade. Isso começou quando fiz 21 e pensei: “nossa, aos 21 minha mãe estava casando!” … aos 24 pensei: “nossa, eu nasci quando minha mãe tinha 24 anos!” … aos 27 pensei: “nossa, aos 27 minha mãe já tinha duas filhas!”… e por aí vai!)

… 33 anos…  33… quando minha mãe tinha 33… eu tinha 9!!!

O que mais me espanta? O tempo passando cada vez mais rápido e eu me dando conta de que eu lembro muito dos meus 9 anos!!!

1986… lembro da minha festa, dos meus colegas, de mudar de escola, de fazer 10 (11, 12, 13, 14…), do aparelho fixo nos dentes, de todo ano torcer o pé, das aulas de piano, dos campeonatos de volley, das músicas que eu ouvia, das brincadeiras, do nome completo do primeiro menino por quem me apaixonei, do clube, do ônibus escolar, da saia balonê, do gel “new wave”, da mudança de turma, do fim dos anos 80, da paixão platônica pelo professor de natação, de pegar onda de bodyboard, de estar sempre bronzeada, de ficar rouca e gripada depois dos carnavais, das viagens que fiz (e das que não pude fazer), de quando ganhei meu violão, do primeiro beijo na video-locadora perto de casa, da festa de 15 anos (que durou um fim-de-semana inteiro), das gincanas do colégio, da primeira vez que cantei num trio-elétrico, dos meus 16 anos, de todas as paixões platônicas que tive nos tempos de escola, do fim desses tempos (graças aos deuses!), de entrar na faculdade aos 17, de viver o teatro 24h por dia, de engordar 60 kilos em cinco anos, de fingir que era feliz, daquela quinta-feira de lua cheia aos 22, do primeiro apartamento que aluguei sozinha, da primeira indicação para um prêmio de melhor atriz aos 23, da mudança pro Rio de Janeiro aos 24, dos bairros em que morei, das peças que eu fiz, das temporadas no spa, de voar por 300 metros numa tirolesa sobre um vale “mágico”, de emagrecer 43 kilos em um ano e meio, da família que eu escolhi entre os amigos que fiz, dos homens que conheci, de me apaixonar por Portugal ( e pelos portugueses), do encanto por Nova York, de expor minha vida em cadeia nacional, do que fiz e me arrependi, de quando eu descobri o que significava amar alguém… de querer casar e ser mãe dos filhos dele… do tempo em que eu me perdi, de me deixar machucar, das fotos que apaguei e de quando me (re)encontrei… ENFIM! Eu  lembro.

Lembro de cada instante, de cada olhar, de cada cheiro… por isso, decidi que meu aniversário seria amplamente celebrado em 2010. Lembro de tudo o que senti e não me arrependo de nada – até mesmo do que, um dia, já me arrependi. E hoje, após uma semana de comemorações, me orgulho muito desses meus 33 anos… mas adoro quando olham pra mim e não acreditam que já passei dos 30, ok? Fica a dica! 😉

Bom, como todo “reveillon” que se preze, pensei em diversas metas que quero atingir nos próximos anos… mas nada de projetos impossíveis. Não quero mais criar acordos comigo que vou acabar por não cumprir. Uma coisa é fato: preciso começar pelo mais simples como, por exemplo, arrumar meu armário, organizar meu quarto, meu mundo… depois pensar em dormir e acordar mais cedo…e redescobrir o “botão que eu apertava” e me fazia sair de casa pra academia, feliz. Aos poucos, conquistarei novos espaços… e assim dominarei o MUNDO!

Pronto, tá na hora publicar! Foram muitas lembranças e eu  já esperei tanto…!

Ai ai… de repente, bateu uma saudade enorme do acalanto…

…e do “eu te amo” em esperanto.


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Renata Celidonio

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