Posts Tagged 'desabafo'

Só mais um minutinho…

Nada melhor pra continuar o “Desafio dos 50 dias”, do que o quarto item da lista:

  • Dia 4: Uma foto que represente seu maior defeito

“Daqui a pouco eu vou…”

“Já já eu faço…”

“Amanhã eu começo…”

“Logo logo eu escrevo…”

Eis o meu maior defeito: PROCRASTINAÇÃO. A arte de deixar pra amanhã o que você pode fazer hoje, ainda que tenha todo tempo do mundo.

Fazer a mala de última hora é um exemplo. A faxina da casa, outro.

Já sabendo disso, criei uma técnica pra que esse defeito seja ônus meu e de mais ninguém. Odeio não ser pontual em compromissos importantes. Por isso, sempre que preciso acordar com hora marcada, coloco três despertadores diferentes pra tocar. Por exemplo: se o compromisso é às 8h, um alarme toca às 6h, outro às 6:15h e o último às 6:30h (com a função soneca ativada). Com isso, procrastino durante uma hora, levanto às 7h e a vida segue normalmente.

Bom, é melhor que eu poste logo esse texto… é muito fácil deixar pra amanhã.

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A arte de procrastinar…

Juro que tentei, mas amanhã tenho o dia de folga…  após guardar a louça, lavar a roupa, fazer compras, arrumar a casa, fazer as unhas e dar uma entrevista, prometo resolver isso… sem falta! Ok, hora de esquecer a expressão “dia de folga”. …

Ok, hora de esquecer “sem falta”.

“Uni duni tê… salamê mingüê…”

Andar sem pressa e sem destino.

Cinema. Avistar e entrar. Escolher um filme e, em cima da hora, optar pelo outro. Livraria. Um café (um chá?). Escolher um livro e lá ficar, sem barulho e sem relógio. Sair ao estar pronta pra dormir. Falar quando iria calar. Meditar ao invés de gritar.

Descobrir o prazer de ser… e não ter que ser.

Seria um almoço natureba durante a semana. Virou um happy-hour na sexta-feira.

Alguns sonhos são perecíveis. Todos os planos são passíveis de mudança.

Luto…

 

Ao nascer ele era lindo, esperto e cheio de planos pro futuro… mas ainda bem jovem, adoeceu.

Foi difícil aceitar sua paralisia. Resisti bravamente à idéia de que ele já não podia mais se movimentar como antes. Além de estático, ele também não conseguia estabelecer qualquer tipo de comunicação e, ainda assim, insisti em mantê-lo por perto.

Com o passar do tempo, tudo ficou mais difícil. Desenganado por todos os especialistas que analisavam seu caso, só respirava artificialmente e , na verdade, sua essência já não estava mais ali. Eu, apegada a uma história projetada de como ele poderia ter sido bem sucedido – caso as circunstâncias fossem diferentes – recusava-me a aceitar sua morte. Mas os fatos estavam ali: ele precisava partir de vez.

Hoje desliguei as máquinas e estou de luto.

O amor morreu.

Tirolesa…

Eu não tenho medo de altura, de avião, do escuro, da solidão.

Eu não tenho medo de cobra, trovão, dentista ou furacão.

Não. Eu não tenho medo de você…

… nem do abismo que existe entre nós.

Mas preciso ser clara: se aquela lagartixa estiver logo ali, eu nem saio daqui.

(pois é … eu não devo ser mesmo uma pessoa muito normal…)

Diga “trinta e três”…

Ano novo, blog novo.

Há mais de um mês mudei pro WordPress. Coincidentemente, desde que optei por esse “upgrade” em minha vida cibernética, todas as idéias que tive tornaram-se pequenos posts inacabados – e, é claro, nunca os publiquei. Hoje, munida de toda coragem possível, resolvi encará-los de uma vez.

Não, eles não serão publicados ainda. Olhando um por um dos arquivos, percebi que poderia simplesmente deletá-los. Subitamente, no entanto, fui tomada por um sentimento arrebatador… não sei como – do nada! –  senti que seria burrice apagar uma parte das minhas histórias. Aqueles posts virarão música, serão belos contos e aquele outro, com certeza, é um ótimo argumento pro meu primeiro curta-metragem! Entendi que a essa percepção, alguns dão o nome de “bom-senso”… e que esse “senso” só fica bom mesmo quando vem acompanhado de uma coisa: maturidade.

Eu havia inventado prematuramente, para mim mesma, a bela desculpa de que o post inaugural deste blog seria publicado dia 23 de agosto do ano presente, celebrando meu “reveillon particular”.

Alguns dias antes,  ao saber quantos anos eu faria, uma amiga perguntou se eu estava “pronta para ser crucificada”… imediatamente, respondi:

“Depois de tudo o que já passei nos últimos tempos,

essa é minha hora de DESCER da cruz”.

É a partir desta frase que dou início à saga dessas linhas bem traçadas pelo editor de textos do meu computador.

Segunda-feira, ao acordar, olhando meu reflexo no espelho do banheiro pensei:

“33 anos…”

( * uma nota rápida para explicar meu raciocínio: em todos os meus aniversários, depois de adulta, tento lembrar de como minha mãe era quando tinha a minha idade. Isso começou quando fiz 21 e pensei: “nossa, aos 21 minha mãe estava casando!” … aos 24 pensei: “nossa, eu nasci quando minha mãe tinha 24 anos!” … aos 27 pensei: “nossa, aos 27 minha mãe já tinha duas filhas!”… e por aí vai!)

… 33 anos…  33… quando minha mãe tinha 33… eu tinha 9!!!

O que mais me espanta? O tempo passando cada vez mais rápido e eu me dando conta de que eu lembro muito dos meus 9 anos!!!

1986… lembro da minha festa, dos meus colegas, de mudar de escola, de fazer 10 (11, 12, 13, 14…), do aparelho fixo nos dentes, de todo ano torcer o pé, das aulas de piano, dos campeonatos de volley, das músicas que eu ouvia, das brincadeiras, do nome completo do primeiro menino por quem me apaixonei, do clube, do ônibus escolar, da saia balonê, do gel “new wave”, da mudança de turma, do fim dos anos 80, da paixão platônica pelo professor de natação, de pegar onda de bodyboard, de estar sempre bronzeada, de ficar rouca e gripada depois dos carnavais, das viagens que fiz (e das que não pude fazer), de quando ganhei meu violão, do primeiro beijo na video-locadora perto de casa, da festa de 15 anos (que durou um fim-de-semana inteiro), das gincanas do colégio, da primeira vez que cantei num trio-elétrico, dos meus 16 anos, de todas as paixões platônicas que tive nos tempos de escola, do fim desses tempos (graças aos deuses!), de entrar na faculdade aos 17, de viver o teatro 24h por dia, de engordar 60 kilos em cinco anos, de fingir que era feliz, daquela quinta-feira de lua cheia aos 22, do primeiro apartamento que aluguei sozinha, da primeira indicação para um prêmio de melhor atriz aos 23, da mudança pro Rio de Janeiro aos 24, dos bairros em que morei, das peças que eu fiz, das temporadas no spa, de voar por 300 metros numa tirolesa sobre um vale “mágico”, de emagrecer 43 kilos em um ano e meio, da família que eu escolhi entre os amigos que fiz, dos homens que conheci, de me apaixonar por Portugal ( e pelos portugueses), do encanto por Nova York, de expor minha vida em cadeia nacional, do que fiz e me arrependi, de quando eu descobri o que significava amar alguém… de querer casar e ser mãe dos filhos dele… do tempo em que eu me perdi, de me deixar machucar, das fotos que apaguei e de quando me (re)encontrei… ENFIM! Eu  lembro.

Lembro de cada instante, de cada olhar, de cada cheiro… por isso, decidi que meu aniversário seria amplamente celebrado em 2010. Lembro de tudo o que senti e não me arrependo de nada – até mesmo do que, um dia, já me arrependi. E hoje, após uma semana de comemorações, me orgulho muito desses meus 33 anos… mas adoro quando olham pra mim e não acreditam que já passei dos 30, ok? Fica a dica! 😉

Bom, como todo “reveillon” que se preze, pensei em diversas metas que quero atingir nos próximos anos… mas nada de projetos impossíveis. Não quero mais criar acordos comigo que vou acabar por não cumprir. Uma coisa é fato: preciso começar pelo mais simples como, por exemplo, arrumar meu armário, organizar meu quarto, meu mundo… depois pensar em dormir e acordar mais cedo…e redescobrir o “botão que eu apertava” e me fazia sair de casa pra academia, feliz. Aos poucos, conquistarei novos espaços… e assim dominarei o MUNDO!

Pronto, tá na hora publicar! Foram muitas lembranças e eu  já esperei tanto…!

Ai ai… de repente, bateu uma saudade enorme do acalanto…

…e do “eu te amo” em esperanto.


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Renata Celidonio

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