Posts Tagged 'mudança'

A noite dos mortos-vivos…

– Oi, tá podendo falar?
– Tô sim. Diz.
– Quero saber de você, faz tempo que a gente não se fala…
– É… faz tempo…
– Então…
– Hum.
– (…)
– (…)
– (…)
–  … então?
– Bom, vai lá… você deve ter mais o que fazer, né? Depois a gente se fala.
– Ei, espera. O que é que tá acontecendo?
– Não sei… é que faz tempo, né?
– Ahan.
– Ontem sonhei com você.
– E…?
– Sonhei com um tempo distante.
– Um tempo…?
– Um tempo em que eu ainda não lembrava que tudo o que eu queria era não lembrar de sonhar com você.
– Não entendi…
– Tudo bem, eu não esperava que você entendesse.
– Hum.
– Você tá bem?
– Ahan.
– Ok, é o que importa.
– Você não vai me contar o que aconteceu no sonho?
– Eu acordei.
Olhou-se no espelho e não reconheceu o próprio rosto. Estava numa tristeza profunda e sem sentido algum. Deixou uma esperança pra trás. Deixou o que restava morrer em paz.
Desde aquele dia, tudo mudou.
Ela mudou. Duas vezes. Ou mais, a depender do ângulo.
Ele também. Mudou. Ou não, a depender do… ou não.

Tudo muda o tempo todo…

Sim, eu confesso: tenho andado em falta com as atualizações desse blog.

Não, minha falta não é por falta de idéias. Se vocês soubessem a quantidade de rascunhos que tenho em estoque, ficariam com pena de mim nesse momento. Acho que é apenas uma daquelas fases em que a vida está acontecendo lá fora e eu estou acompanhando, enlouquecidamente, o ritmo do mundo nas voltas que ele dá. Ou melhor: o mundo está acompanhando meu ritmo nas voltas que, enlouquecidamente, dou nele. Acho que é mais por aí… é.

Alô você que tem a certeza de ter sido bloqueado no meu MSN… alô você que sente minha falta online no Skype… alô você que fica diariamente me procurando nas suas listas de bate-papo virtual… sinto desapontá-lo, mas já faz algum tempo que não tenho mais a menor paciência pra teclar sobre o nada. Alô você que diz que tem saudade de mim… provavelmente você tem meu telefone. Me convida pra sair, vem me visitar com boas notícias, marca um cinema, um passeio na Lagoa, um café no Parque Lage ou no CCBB. Vamos ver um show de jazz na Glória, ouvir um samba na Lapa, dançar black music no Centro… tomar uma água-de-coco em Ipanema, uma cerveja em Botafogo ou um drink no Leblon. Me chama pra ver o pôr-do-sol ou pra ver o sol nascer. Alô você que diz que prefere ficar em casa… saiba que eu também entendo perfeitamente essa vontade de curtir o próprio ninho como se não houvesse amanhã e que, às vezes, vou dizer “não” quando você me procurar. Alô você que não mora na mesma cidade que eu… me avisa quando estiver online, eu trabalho com exceções.

Não adiciono quem não conheço no Facebook, adoro a objetividade do Twitter e acho chat muito chato. Não tolero gritaria, mas aceito na hora um bom pedido de desculpa. Se eu te ligo e você não atende, não insisto. Se alguém diz que vai me ligar, espero. Se demorar, esqueço. Deleto quem se diz presente e se faz ausente. Aprendi que algumas pessoas são descartáveis. Relações superficiais e mentiras sinceras não me interessam mesmo. O ser humano ainda/sempre me surpreende.

Estou sumida porque estou vivendo.

Nos últimos tempos, tenho administrado grandes transformações. Mudanças que desencadearam minha mudança pro bairro vizinho (e a mudança pro bairro vizinho desencadeou outras tantas!). Mudanças de conceitos. De pré-conceitos. De estados de espírito. Do tamanho da fé que deposito em mim. Do tempo de perdoar. Do limite do aceitar. Leio mais.

Hoje decidi escrever, estava sentindo falta de momentos como o de agora. Decidi não mais abandonar esse lugar. Pelo menos, não por enquanto. Pelo menos, só por hoje. Ainda que e apesar de… aqui estou.

Virei a chave. Abri a porta. Troquei o disco.

Tudo muda o tempo todo.

Mudei.


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Renata Celidonio

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