Posts Tagged 'relacionamento'

A noite dos mortos-vivos…

– Oi, tá podendo falar?
– Tô sim. Diz.
– Quero saber de você, faz tempo que a gente não se fala…
– É… faz tempo…
– Então…
– Hum.
– (…)
– (…)
– (…)
–  … então?
– Bom, vai lá… você deve ter mais o que fazer, né? Depois a gente se fala.
– Ei, espera. O que é que tá acontecendo?
– Não sei… é que faz tempo, né?
– Ahan.
– Ontem sonhei com você.
– E…?
– Sonhei com um tempo distante.
– Um tempo…?
– Um tempo em que eu ainda não lembrava que tudo o que eu queria era não lembrar de sonhar com você.
– Não entendi…
– Tudo bem, eu não esperava que você entendesse.
– Hum.
– Você tá bem?
– Ahan.
– Ok, é o que importa.
– Você não vai me contar o que aconteceu no sonho?
– Eu acordei.
Olhou-se no espelho e não reconheceu o próprio rosto. Estava numa tristeza profunda e sem sentido algum. Deixou uma esperança pra trás. Deixou o que restava morrer em paz.
Desde aquele dia, tudo mudou.
Ela mudou. Duas vezes. Ou mais, a depender do ângulo.
Ele também. Mudou. Ou não, a depender do… ou não.

Procura-se um Mário Quintana…

Éramos seis naquela mesa.

Seis mulheres. Seis mulheres bonitas, inteligentes e solteiras numa mesa de bar.

Seis mulheres bonitas, inteligentes e solteiras numa mesa de bar… em plena sexta-feira… no Rio de Janeiro. Todas na faixa dos 30 anos. Umas com um pouco menos, outras com um pouco mais.

Nessa noite, qualquer assunto se tornaria base para uma conversa muito interessante. A diversidade religiosa estava bem representada. Todas trabalham com atividades distintas e, além disso, quatro são artistas. Mês que vem temos eleições. Poderíamos debater sobre tudo! Religião, política, moda, medicina alternativa, teatro, música, terapia, sonhos, filosofia, física quântica, viagens… enfim! Acho que até chegamos a falar um pouquinho de cada coisa, mas mesmo com toda essa diversidade, o tema principal da noite acabou sendo bem óbvio: a dor e a delícia do sexo oposto.

Pois é, meninos… nós falamos de vocês. Mentira, foi melhor do que isso. Falamos de nós… com vocês.

Paixões, decepções, namoros acabados, casamentos desfeitos, amor eterno, sexo casual, primeira vez, aventuras internacionais, envolvimentos espirituais, namoro à distância… tudo foi lançado nessa mesa, enquanto predadores em potencial nos miravam como possíveis presas e garçons passavam enlouquecidos, de um lado pro outro, muitas vezes esquecendo-se dos nossos pedidos. E nós, concentradíssimas na conversa, acabávamos esquecendo também.

De repente, uma letra de música, um poema, uma história… eu confesso a saudade que sinto de acordar ao lado dele, uma das meninas fala sobre ser livre, outra conta sobre o ciúme doentio do ex-namorado, aquela de lá diz que jamais voltaria com certo psicopata em questão, a outra dali concorda e a da minha frente cita um escrito do Mário Quintana, sobre o “sermão do casamento”. De repente, tudo se encaixa.

Chico Buarque? Tom Jobim? George Clooney? Brad Pitt? Não…

… naquela noite, Mário Quintana elegeu-se o homem ideal.

E tenho dito.

*******************

SERMÃO DO CASAMENTO

Em Maio de 98, escrevi um texto em que afirmava que achava bonito o ritual do casamento, a igreja, com seus vestidos brancos e tapetes vermelhos, mas que a única coisa que me desagradava era o sermão do padre:

“Promete ser fiel na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, amando-lhe e respeitando-lhe até que a morte os separe?”

Acho simplista e um pouco fora da realidade. Dou aqui novas sugestões de sermões:

  • “Promete não deixar a paixão fazer de você uma pessoa controladora, sem respeitar a individualidade do(a) seu(sua) amado(a), lembrando sempre que ele(a) não pertence a você e que está ao seu lado por livre e espontânea vontade?”
  • “Promete saber ser amigo(a) e ser amante, sabendo exatamente quando devem entrar em cena um e outro, sem que isso lhe transforme numa pessoa de dupla identidade ou numa pessoa menos romântica?”
  • “Promete fazer da passagem dos anos uma via de amadurecimento e não uma via de cobranças por sonhos idealizados que não chegaram a se concretizar?”
  • “Promete sentir prazer de estar com a pessoa que você escolheu e ser feliz ao lado dela pelo simples fato de ela ser a pessoa que melhor conhece você e portanto a mais bem preparada para lhe ajudar, assim como você a ela?”
  • “Promete se deixar conhecer?”
  • “Promete que seguirá sendo uma pessoa gentil, carinhosa e educada, que não usará a rotina como desculpa para sua falta de humor?”
  • “Promete que fará sexo sem pudores, que fará filhos por amor e por vontade, e não porque é o que esperam de você, e que os educará para serem independentes e bem informados sobre a realidade que os aguarda?”
  • “Promete que não falará mal da pessoa com quem casou só para arrancar risadas dos outros?”
  • “Promete que a palavra LIBERDADE seguirá tendo a mesma importância que sempre teve na sua vida, que você saberá responsabilizar-se por si mesmo sem ficar escravizado pelo outro e que saberá lidar com sua própria solidão, que casamento algum elimina?”
  • “Promete que será tão você mesmo quanto era minutos antes de entrar na igreja?”

Sendo assim, declaro-os muito mais que marido e mulher: declaro-os maduros.

(Mário Quintana)

Tirolesa…

Eu não tenho medo de altura, de avião, do escuro, da solidão.

Eu não tenho medo de cobra, trovão, dentista ou furacão.

Não. Eu não tenho medo de você…

… nem do abismo que existe entre nós.

Mas preciso ser clara: se aquela lagartixa estiver logo ali, eu nem saio daqui.

(pois é … eu não devo ser mesmo uma pessoa muito normal…)

Casual…

Eles dois.
Ela com ele.
Ele sem ela.
Ela por cima.
Ele por baixo.

E a tênue linha que define suas posições.

Ela o canta e se deixa sorrir.
Ele toca e se deixa beijar.
Ela canta e se deixa sentir.
Ele a toca e se deixa tocar.

Intimidade, tesão, carinho e cumplicidade – eles tem tudo e nada ao mesmo tempo.

Tudo se resume ao sexo, às horas em que se enganam antes dele e ao “até breve” do depois.

Nada ocorre em pequenos interlúdios entre os atos. Protegidos do monstro que atormenta seus sonhos, escrevem frases em silêncio, esperam o telefone tocar e saboreiam a névoa mentolada que lançam pelo ar.

Gozo sem visão.
Química sem razão.
Desejo sem paixão.

Ela não se apaixonou por ele, que teria – na teoria – nascido para a encantar. Ele é apaixonante… mas nunca foi completamente apaixonável.

O cheiro dele está para o corpo dela assim como fantasmas estão para espelhos. Ele é inodoro… mas nunca foi como água potável.

Eles não são grandes amigos. Eles não são grandes amantes.

São apenas duas válvulas de escape sem limites…

Ele acende a chama.
Ela é fogo também.

… e servem um ao outro quando melhor os convém.



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Renata Celidonio

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