Posts Tagged 'saudade'

Um lugar que não existe…

Hoje senti vontade de escrever uma carta pra ele, que mora longe… mas nem sempre foi assim.

No tempo em que tudo era diferente, ele vivia por perto e costumava me visitar com frequência. Quando partia, deixava pra trás algumas migalhas que o guiariam pelo caminho, caso resolvesse voltar. E ele sempre voltava.

Eu estava bem até a saudade chegar. Foi ela que me fez perceber que, um belo dia, ele não voltou. Talvez tenha resolvido andar um pouco mais e as migalhas não foram suficientes. “Perdeu-se.”, pensei. Será para sempre?

Hoje sei ele está naquele lugar dentro de mim, onde vão parar todos os guarda-chuvas perdidos do mundo. Pois é… é lá que ele se esconde, evitando as tempestades e tudo o que lava a alma. Apesar de parecer estar por perto, temos um longo caminho a percorrer. Ele está longe… porém jamais acreditarei que esse é um lugar que não existe.

Prefiro crer nas palavras de um sábio amigo, que um dia me disse: “Existe. Às vezes a gente esquece o caminho …mas existe!

Portanto eu canto… tanto quanto espero.

Anúncios

Mate… checkmate.

Banho frio. Corte de cabelo. Mudança de cidade, de estado e de país. Restrição alimentar. Emprego novo. Dormir tarde. Ganhar. Ser promovido. Perder. Acordar cedo. Gás encanado. Calor. Mar gelado. Comida congelada. Pão sem glúten. Café sem açúcar. Leite de soja. Rodízio no trânsito. Ausência de gosto, de cheiro, de visão e audição. Globalização. Poluição. Arrastão. Não. Ônibus lotado. Baldeação na Sé. Ter um celular. Não ter um celular. Música sem tom. Mundo sem Jobim.

Se a gente é capaz de se acostumar com tudo nessa vida, de onde vem essa vontade? E essa coisa chamada saudade?

Ela pensou em você…

“Ah, me socorre que hoje não quero fechar a porta com esta fome na boca, beber um copo de leite, molhar plantas, jogar fora jornais, tirar o pó de livros, arrumar discos, olhar paredes, ligar-desligar a tevê, ouvir Mozart para não gritar e procurar teu cheiro outra vez no mais escondido do meu corpo…” (Caio Fernando Abreu).

Pois é… aquele dia não foi diferente de todos os outros: ela pensou em você.

O inverno mostrou-se teimoso na primeira segunda-feira do mês que abriga o início da primavera. As nuvens esconderam o nascer do sol, a chuva fina insistente batia nos vidros da janela do quarto e, assim que o despertador tocou,  o cobertor pareceu ser sua roupa preferida. Por alguns instantes, ela tornou-se a versão feminina e humana do Garfield. Só por alguns instantes… até que ela lembrou como era bom acordar colada no seu corpo em dias assim. Ainda sonolenta, fez de conta que as mãos dela eram as suas… e então, ela pensou em você.

Quase pegou novamente no sono. Levantou assustada. Medo de perder a hora. Ainda assim, resolveu ir a pé para o trabalho. Não, ela não levou o guarda-chuva… e caso coincidências existam, coincidentemente ela parou na frente do seu portão. Já com o cabelo molhado, mesmo sabendo que naquele momento não te encontraria por lá, parou… e interfonou. Você não veio, ela foi embora e – passo a passo – mais uma vez,  ela pensou em você.

Chegando ao trabalho, ao verificar os emails, um nome parecido com o seu na caixa de entrada quase a fez sorrir. E ela riu disso. De si mesma. Aliás, se tem uma coisa que ela sabe fazer é rir, principalmente quando se sente ridícula. E, ridiculamente – mesmo sem te ver há meses – ela ainda espera encontrar numa linda manhã de sol, no meio das correspondências diárias, palavras suas que falem de amor. E apesar do sol não ter aparecido naquela manhã, ainda assim, ela pensou em você.

Saiu para almoçar com alguns amigos. A pauta principal desse encontro foi o tal “dia do sexo”, divulgado amplamente por todas as redes sociais presentes no universo virtual. Conversa vai, conversa vem… e, de repente, um filme com os melhores momentos foi criado pelas lembranças dela. Era praticamente um trailler de um longa-metragem: flashes de cenas, bom roteiro, ótima trilha sonora e um casal protagonista. Comédia-romântica. Sim, ela pensou em você.

O sol se pôs atrás das nuvens e a lua, tão teimosa quanto o inverno, se escondia minguando… e ela foi pra casa, pensando no que faria mais tarde. Pensou em sair pra jantar, dançar e comemorar o “tal” dia… pensou em você.

O que? Ela te disse que não iria mais pensar em você? Mentira! É um movimento tão involuntário como um espasmo muscular. Ela simplesmente não consegue controlar… quando ela vê, já foi. Já era. E não tem força de vontade que dê jeito. Referência é referência. E isso fica registrado na memória da pele, ou seja: quando sente e pensa em não pensar… já pensou.

Ah! Você também a ouviu falar que estava aberta para que outras pessoas fizessem parte da vida dela? Bom, isso é verdade… teoricamente é o que ela gostaria que acontecesse! Por isso, quando sente que pode existir uma possibilidade de conexão, ela se dispõe a realizá-la e não deixa de seguir seus impulsos mais primitivos, seus instintos mais selvagens, sua alma mais imoral… ela jamais os deixará em segundo plano novamente. Jamais.

Noite. Ela recebe uma mensagem no celular. Uma proposta bem indecente que ela adora, mas não responde. Sai sozinha e sente que está em ótima companhia. Vai ao cinema, resolve jantar e depois… dançar! Se diverte muito sem pensar em nada além da música e volta pra casa ao amanhecer.

Terça-feira. Seis da manhã. Já em casa, antes de dormir, ela percebe que existem outras mensagens no celular, oscilando entre a indecência e a irritação ( por conta da ausência de respostas ao remetente). Pensa em respondê-las ironicamente… elabora frases indecentes e debochadas… manda a primeira e, segundos antes de mandar a segunda, o telefone toca. Ela sorri e atende… “oi…”

… … …

“Bom dia… estou na porta da sua casa, dorme comigo…” , ele diz.

“Sobe…”, ela responde.

… … …

Sim, a porta estava aberta e ele entrou. Chegou como sempre soube chegar. Ela, anfitriã mais que perfeita, o recebeu como sempre o fez. Como sempre souberam fazer, celebraram o dia anterior com excelência. E assim que ele foi embora ela se tocou que, na verdade, nem sempre o “depois” foi assim, pois nesse “sempre” você ainda não existia dentro dela.

Pois é… antes de dormir, ela pensou em você.


Coloque seu e-mail para receber novidades e notificações do Blog.

Junte-se a 5.438 outros seguidores

Renata Celidonio

Desculpem os transtornos... estamos em reforma para melhor atendê-los! ;)

Você vai me seguir…

Erro: o Twitter não respondeu. Por favor, aguarde alguns minutos e atualize esta página.

Destinos mais visitados…

Binóculo...

  • 32,037 visualizações

Por onde andei…

Passagem marcada…

dezembro 2017
S T Q Q S S D
« ago    
 123
45678910
11121314151617
18192021222324
25262728293031